Desafios da mulher moderna: como conciliar maternidade e vida profissional

March 6, 2018

No início do século passado, Sigmund Freud, o pai da psicanálise alertou que a intensificação do sentimento de culpa é um importante adversário da felicidade. Estudos demonstraram que essa intensificação resulta em uma sensação de peso corporal subjetivo aumentado: eis que a culpa se revela um fardo demasiadamente pesado para se carregar.

 

Mas para começar a aliviar a sobrecarga, gostaria de enfatizar que sentimentos internos de culpas também revelam indivíduos com alta sensibilidade interpessoal. Importantes pensadores apontam para uma triste tendência, a indiferença diante da dor do outro na modernidade, resultando no que eles chamaram de “volatilização da culpa”.

 

Sendo assim, precisamos cuidar com carinho daqueles que refletem sobre o impacto de suas próprias ações em relação às outras pessoas, para que ao invés de ruminarem a culpa de um modo autodestrutivo, ajudem-nos a construir uma sociedade mais ética e humana.


Infelizmente, as pesquisas demonstram que as mulheres ainda são as que mais sofrem com sentimentos internos de culpa. Um dos temas que intensificam este sofrimento é o conflito que emerge quando as mulheres precisam conciliar maternidade e carreira profissional. 

 

É uma atitude nobre se comprometer com a responsabilidade de cuidar de uma vida e se importar com o bem estar dos filhos, então, por favor, lembrem-se de que vocês possuem muitos motivos para se orgulharem de si mesmas e reconheçam o seu valor.

 

A carreira profissional abrange tanto o sustento familiar quanto a realização pessoal. O trabalho se configura como uma oportunidade de desenvolvermos nossas habilidades e de contribuirmos para a sociedade. 

 

O modelo das instruções de procedimentos segurança para voo podem ser bastante elucidativos. Em caso de despressurização, os passageiros são alertados que máscaras de oxigênio cairão automaticamente e acrescentam que, no caso de crianças acompanhadas de adulto, o adulto deve colocar a máscara em si e só depois colocar na criança, lembrando-nos de que a manutenção dos sinais vitais da mãe são imprescindíveis para salvar a vida de uma criança.

 

A fim de garantir o bem estar dos filhos é fundamental que a mãe cuide de seu próprio bem estar, que envolve além da maternidade, realização profissional, vida amorosa, amizades e lazer. Sem dúvida, equilibrar a demanda destas diferentes modalidades é algo desafiador. Se ocupar com a solução de problemas e ajustamento de eventuais desequilíbrios configura-se como um exercício cotidiano adaptativo e saudável. Que tal, ao invés de se culpar, se ocupar com o seu processo de realização enquanto ser humano? 

Quanto mais plena, melhor será a qualidade do tempo que a mãe dedicará ao filho, o que no fim, contribuirá de forma positiva para o seu desenvolvimento. Refletir sobre nossas ações considerando o seu impacto em relação aos outros e aprender com os erros é um sinal de maturidade. Culparmo-nos excessivamente apenas compromete a nossa qualidade de vida e daqueles que no cercam.

 

Thais Rabanea — Mestre em Psicologia Médica e doutoranda em ciências pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). Possui formação em psicologia clínica pela PUC-SP, especialização em neuropsicologia pelo Centro de Diagnóstico Neuropsicológico (CDN) e treinamento em Terapia Cognitivo-Comportamental pelo Beck Institute for Cognitive Behavior Therapy (Filadélfia - EUA).

 

FONTE: http://www.administradores.com.br/noticias/carreira/desafios-da-mulher-moderna-como-conciliar-maternidade-e-vida-profissional/123588/

 

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